Quem foi José Falcão ? O Toureiro de Vila Franca de Xira que levou o nome da sua terra além-fronteiras (1942-1974)
José Falcão (1942-1974) foi um dos maiores toureiros portugueses de todos os tempos e uma das figuras mais importantes da história tauromáquica de Vila Franca de Xira. José Carlos Frita Falcão nasceu a 30 de agosto de 1942, em Povos, Vila Franca de Xira, numa terra onde a tauromaquia fazia parte da identidade e da vida quotidiana. Cresceu rodeado por uma forte tradição taurina e desde muito cedo revelou uma enorme paixão pelos toiros. Essa ligação não surgiu por acaso: a sua família tinha raízes no mundo do toureio, com o avô a ter sido bandarilheiro profissional e um tio ligado também à carreira de novilheiro.
Ainda adolescente, José Falcão começou a demonstrar que queria fazer da tauromaquia a sua vida. Com apenas 15 anos, toureou pela primeira vez na Praça de Touros Palha Blanco, em Vila Franca de Xira, diante do público da sua terra. Era o início de uma carreira que, em pouco mais de uma década, o levaria a algumas das mais importantes praças de Portugal, Espanha, França, América Latina e África.
Em fevereiro de 1959, com apenas 16 anos, apresentou-se nos tradicionais espetáculos carnavalescos do Campo Pequeno, em Lisboa. Mais tarde, em 1960, passou a frequentar a Escola de Toureio de Coruche, onde permaneceu até 1966, aperfeiçoando a sua técnica e preparando-se para enfrentar as exigências do toureio profissional.
O ano de 1962 marcou outra etapa importante. Sob orientação dos irmãos Badajoz, José Falcão apresentou-se num festival em Coruche e, a 20 de maio, vestiu pela primeira vez o traje de luces, na Praça de Touros do Montijo. Lidou reses da Sociedade Agrícola de Rio Frio, partilhando cartel com Carlos do Carmo, Mário António e Óscar Rosmano. No ano seguinte, a 11 de junho de 1963, na Chamusca, passou à categoria de novilheiro.
A sua evolução foi rápida. Em março de 1966, apresentou-se como novilheiro na Monumental de Madrid, entrando assim num dos grandes palcos da tauromaquia mundial. A carreira internacional começava a ganhar verdadeira dimensão.
O momento maior chegou em 23 de junho de 1968, na Praça de Touros de Badajoz. José Falcão tomou a alternativa das mãos do célebre matador espanhol Paco Camino, tendo como testemunha Francisco Rivera “Paquirri”. Tornava-se oficialmente matador de toiros e entrava numa elite restrita do toureio português. José Falcão foi o 14.º matador de toiros português.
Pouco depois, confirmou a alternativa na Monumental de Madrid, a 27 de julho de 1969, através de Vicente Punzón, com Aurélio Garcia Higares como testemunha. Nesse mesmo ano, a 13 de dezembro, confirmou também a alternativa na Praça México. Estes momentos demonstram a dimensão internacional que a sua carreira alcançou em poucos anos.
José Falcão era considerado um toureiro completo nos três tércios - capote, bandarilhas e muleta - característica que lhe granjeou reconhecimento dentro e fora de Portugal. Atuou nas principais praças espanholas, no sul de França, em Portugal, na América Latina e em Moçambique. A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira descreve-o como uma figura singular e cimeira do toureio internacional.
O Prémio Bordalo de 1968
Entre as distinções mais importantes da sua carreira encontra-se o Prémio da Imprensa, também conhecido como Prémio Bordalo, atribuído em 1968, na categoria de Tauromaquia, pela Casa da Imprensa. José Falcão foi distinguido como “Matador de Touros”, reconhecimento que confirmou o enorme impacto que estava a alcançar no panorama taurino. No ano seguinte, o júri voltou a considerá-lo o melhor espada da temporada, mas o regulamento não permitia a atribuição do prémio em anos consecutivos.
É importante referir que, além deste prémio documentado, José Falcão recebeu inúmeras homenagens e deixou uma marca tão forte que o seu próprio nome passou a estar associado a troféus e distinções posteriores. Um exemplo é o Troféu José Falcão para a Melhor Faena na Palha Blanco, instituído posteriormente e relacionado com a sua memória, não devendo ser confundido com um troféu conquistado pelo próprio José Falcão durante a sua carreira.
A tragédia em Barcelona
A carreira de José Falcão foi brutalmente interrompida na tarde de 11 de agosto de 1974, na Monumental de Barcelona. Tinha 31 anos e enfrentava o toiro “Cuchareto”, da ganadaria Hoyo de la Gitana, quando foi mortalmente colhido na arena.
A sua morte transformou José Falcão numa das figuras mais marcantes da história taurina de Vila Franca de Xira. O seu corpo foi inicialmente sepultado em Barcelona, sendo posteriormente trasladado para Vila Franca de Xira, onde repousa num mausoléu no cemitério da cidade.
A sua memória permanece profundamente ligada à cidade. Em 3 de julho de 2021, foi inaugurada uma escultura de homenagem a José Falcão junto ao Ateneu Artístico Vilafranquense, perto da rua que recebeu o seu nome. A cidade reconheceu assim o homem que levou o nome de Vila Franca de Xira muito além das suas fronteiras.
Também a Escola de Toureio José Falcão, fundada em 11 de agosto de 1984, exatamente no décimo aniversário da sua morte, perpetua o seu nome e o seu legado. A escola tornou-se uma referência do ensino taurino português e, desde 2001, integra a Federação Internacional de Escolas Taurinas.
José Falcão viveu apenas 31 anos, mas deixou uma história muito maior do que a brevidade da sua vida poderia fazer prever. Foi um filho de Vila Franca de Xira que transformou a paixão pelos toiros numa carreira internacional, conquistou o reconhecimento da crítica e do público e chegou aos grandes palcos da tauromaquia mundial.
A sua história ficou também marcada por uma frase que, segundo o Município de Vila Franca de Xira, costumava dizer: “quando morresse gostaria que fosse na arena a tourear.” E foi precisamente na arena, em Barcelona, que a sua vida terminou.
Hoje, José Falcão não é apenas uma memória do passado taurino de Vila Franca de Xira. É um dos nomes que ajudaram a construir a identidade taurina da cidade. O seu nome permanece nas ruas, na escola de toureio, no monumento, no mausoléu e, sobretudo, na memória dos aficionados que continuam a recordar o jovem matador de Povos que chegou às grandes praças do mundo.
Video da RTP: Um dia com José Falcão
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7. Quem foi Reynaldo dos Santos ? 6 Maio 1970
"A história continua a ser escrita. Voltaremos a atualizar esta página sempre que surgirem novos documentos, fotografias ou informações sobre, José Falcão"
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