Quem foi José Van Zeller Pereira Palha - O Homem que colocou o Campino no coração de Vila Franca de Xira (1895-1978)
José Van Zeller Pereira Palha (1895-1978), o homem que colocou o Campino no coração de Vila Franca de Xira, o fundador da maior festa do Ribatejo, o Colete Encarnado VFX.
José Van Zeller Pereira Palha a cavalo na Lez´ria do Ribatejo
Há homens que passam pela história de uma terra e há homens que ajudam a construir a própria identidade dessa terra. José Van-Zeller Pereira Palha pertence claramente à segunda categoria.
Ligado a uma das famílias agrícolas mais importantes do Ribatejo, proprietário rural, lavrador, dirigente associativo, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, homem ligado à tauromaquia, apaixonado pela fotografia, pela natureza, pela lezíria e, sobretudo, pela sua terra, José Van-Zeller Pereira Palha ficou definitivamente ligado à memória de Vila Franca de Xira por uma criação que ultrapassou largamente o seu tempo: a Festa do Colete Encarnado.
Foi ele quem, em 1932, esteve na origem da primeira grande festa de homenagem ao campino. A iniciativa nasceu da sua ligação profunda à lezíria e aos homens que diariamente trabalhavam no campo. Mas nasceu também de uma preocupação muito concreta: angariar fundos para os Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira. A primeira edição realizou-se nos dias 16 e 17 de julho de 1932, com desfile de campinos, largada, corrida de toiros e baile popular.
Ao longo das décadas seguintes, o Colete Encarnado transformou-se numa das maiores manifestações culturais e populares do Ribatejo. O que começou como uma festa de homenagem ao homem do campo tornou-se uma celebração da identidade vilafranquense, reunindo campinos, cavalos, toiros, fado, música, tertúlias, tradição e a própria cidade.
Mas reduzir José Van-Zeller Pereira Palha ao título de "fundador do Colete Encarnado" seria insuficiente.
A sua ação foi muito mais ampla.
Foi um homem profundamente envolvido na vida de Vila Franca de Xira. Exerceu funções na Câmara Municipal, primeiro como vereador e depois como presidente do Município. Foi dirigente dos Bombeiros Voluntários, esteve ligado ao Ateneu Artístico Vilafranquense e à Associação Fraternal dos Artistas Vilafranquenses, escreveu no jornal Vida Ribatejana, participou na vida económica e agrícola do concelho e esteve associado a importantes melhoramentos locais, entre eles a construção da Ponte Marechal Carmona e o abastecimento de água ao concelho.
A sua vida atravessou praticamente todo o primeiro grande ciclo do século XX português. Nasceu ainda durante a monarquia, cresceu num Portugal profundamente rural, atravessou a implantação da República, assistiu à Primeira Guerra Mundial, viveu a instabilidade da Primeira República, acompanhou o Estado Novo, participou na administração local durante o regime de Salazar e viu o país entrar numa nova época depois da Revolução de 25 de Abril de 1974.
Morreu em 1978, quatro anos depois da Revolução, deixando atrás de si uma marca especialmente forte em Vila Franca de Xira.
A sua história é, por isso, também uma parte da história de Vila Franca.
1. Data e lugar de nascimento
José Van-Zeller Pereira Palha nasceu em Vila Franca de Xira, em 1895.
As fontes consultadas permitem identificar uma pequena divergência quanto ao dia e mês.
A base genealógica Geneall regista o nascimento em 16 de setembro de 1895, em Vila Franca de Xira, e o falecimento em 15 de julho de 1978, igualmente em Vila Franca de Xira. Uma obra genealógica relativa às famílias ligadas aos Açores confirma igualmente o nascimento em Vila Franca de Xira, a 16 de setembro de 1895, identificando como seus pais Constantino Nicolau Pereira Palha e Maria do Patrocínio Palha van Zeller.
Existe, porém, uma publicação municipal dedicada ao Colete Encarnado que indica 16 de novembro de 1895. Essa data aparece no texto biográfico publicado pelo Município em 2013.
Assim, para uma biografia rigorosa, é importante deixar registada a discrepância. A data 16 de setembro de 1895 é a que aparece nas fontes genealógicas independentes e concordantes, enquanto "16 de novembro" surge numa publicação municipal. O ano de nascimento, 1895, é consensual.
José Van-Zeller Pereira Palha nasceu, portanto, no final do século XIX, numa época em que Vila Franca de Xira era profundamente marcada pela agricultura, pelo Tejo, pelas lezírias, pela criação de gado e pelas relações entre os grandes proprietários rurais e os trabalhadores do campo.
Foi nesse ambiente que cresceu.
E esse ambiente seria decisivo para tudo aquilo que faria décadas mais tarde.
2. Uma família profundamente ligada ao Ribatejo
Para compreender José Van-Zeller Pereira Palha é necessário compreender a família Palha e a importância que esta teve na história agrícola e tauromáquica da região.
José era neto de José Pereira Palha Blanco, uma das figuras mais conhecidas da história da agricultura e da tauromaquia portuguesa.
A família estava ligada à Casa Agrícola e à famosa ganadaria Palha. A história desta ganadaria remonta ao século XIX. José Pereira Palha Blanco desenvolveu profundamente a criação de gado e o apuramento das linhas da ganadaria, recorrendo a animais de diferentes origens, incluindo Concha y Sierra, Miura, Veragua e outras linhas importantes da criação brava. A ganadaria viria a tornar-se uma das mais conhecidas de Portugal.
A ligação entre os Palha e Vila Franca de Xira era, por isso, muito mais do que uma relação económica.
Era uma ligação territorial.
A agricultura, os cavalos, os toiros, os campinos e a lezíria faziam parte da vida quotidiana da família.
A Praça de Toiros Palha Blanco, em Vila Franca de Xira, perpetuou o nome do seu avô e tornou-se outro dos grandes símbolos da relação da família com a cidade e com a tauromaquia.
José Van-Zeller Pereira Palha cresceu, portanto, dentro de um universo em que o campo não era apenas uma atividade profissional.
Era uma forma de vida.
3. O Ribatejo que moldou José Van-Zeller Pereira Palha
No início do século XX, o Ribatejo era uma região onde a vida económica e social estava profundamente ligada à agricultura.
A lezíria tinha uma importância enorme.
Ali trabalhavam os campinos, homens habituados a viver em contacto permanente com o gado e com o cavalo. Eram responsáveis por tarefas exigentes, sobretudo na condução e maneio do gado bravo e bovino.
O campino tornou-se progressivamente uma figura simbólica do Ribatejo.
José Van-Zeller Pereira Palha compreendeu muito cedo essa dimensão.
Não via apenas o campino como trabalhador da sua casa agrícola.
Via nele uma figura que representava uma cultura, uma paisagem e uma maneira de viver.
Décadas mais tarde, seria precisamente esta visão que levaria à criação do Colete Encarnado.
Um dos aspetos mais interessantes da personalidade de José Van-Zeller Pereira Palha foi precisamente a proximidade que mantinha com o campo.
Segundo testemunhos familiares e fontes municipais, costumava deslocar-se à lezíria, acompanhando diretamente o trabalho dos campinos e convivendo com eles. O próprio explicou, numa entrevista publicada no jornal Vida Ribatejana em 1971, que o ambiente da lezíria sempre o fascinara e que grande parte da sua vida tinha sido passada em convivência com os campinos.
Esta relação não era apenas profissional.
Era emocional.
Ele observava a paisagem, os animais, os homens e o quotidiano rural.
E guardava tudo isso.
4. Um homem apaixonado pela fotografia
Existe uma faceta de José Van-Zeller Pereira Palha que merece especial atenção: a fotografia.
Hoje, quando fotografar faz parte do quotidiano de praticamente toda a gente, é fácil esquecer que, na primeira metade do século XX, a fotografia exigia equipamento, conhecimento, tempo e dedicação.
José tinha essa paixão.
As fontes municipais referem as suas coleções fotográficas e o interesse particular por imagens de inspiração campestre. Fotografava a natureza, a vida rural, os animais e acontecimentos da região.
Era, de certa forma, um observador.
Gostava de contemplar.
O seu interesse pela fotografia encaixa perfeitamente na imagem que os testemunhos familiares deixaram dele: um homem que gostava da natureza e que procurava conservar aquilo que observava.
A fotografia permitia-lhe transformar momentos passageiros em memória.
Um campino a cavalo.
Um grupo de trabalhadores.
Um cavalo na lezíria.
Uma paisagem.
Uma festa.
Uma rua engalanada.
Uma cena da vida rural.
Tudo podia tornar-se memória.
E essa paixão pela memória é particularmente importante quando pensamos no Colete Encarnado.
José Van-Zeller Pereira Palha não se limitou a criar uma festa.
Também ajudou a construir a memória visual de uma época.
5. A gestão da Casa Agrícola e da Ganadaria Palha
Em 1924, José Van-Zeller Pereira Palha assumiu uma responsabilidade importante na família.
Na sequência de doença do avô, passou a assegurar a gestão da Casa Agrícola e da Ganadaria Palha.
Segundo documentação municipal, manteve-se ligado a essas funções até 1942, quando ocorreram partilhas na família na sequência da morte do patriarca, em 1937.
Foi um período essencial na sua formação.
A gestão de uma grande propriedade agrícola obrigava a conhecer profundamente a terra.
Era necessário compreender os ciclos agrícolas, o gado, os cavalos, os trabalhadores, as necessidades da exploração e as relações económicas.
José estava, portanto, diretamente envolvido num mundo rural que conhecia por dentro.
E essa experiência ajudou a moldar a sua visão de Vila Franca.
A cidade não podia ser separada da lezíria.
O Tejo não podia ser separado da agricultura.
O campino não podia ser separado do cavalo.
E o cavalo não podia ser separado do toiro.
Tudo estava ligado.
6. As feiras agrícolas de 1928 e 1930
Antes da criação do Colete Encarnado, José Van-Zeller Pereira Palha já tinha demonstrado capacidade para promover iniciativas de dimensão regional.
As fontes municipais atribuem-lhe a realização de uma importante Feira de Gado e Máquinas Agrícolas, em Vila Franca de Xira, nos anos de 1928 e 1930.
Estas iniciativas são importantes porque demonstram que a sua preocupação com a agricultura não se limitava à administração da propriedade familiar.
Havia uma visão mais ampla.
José entendia a agricultura como uma das grandes bases económicas do concelho.
Uma feira de gado e máquinas agrícolas permitia aproximar produtores, criadores, trabalhadores e comerciantes.
Era também uma forma de colocar Vila Franca no mapa das atividades agrícolas.
Dois anos depois da segunda edição da feira, surgiria a iniciativa que mudaria definitivamente o seu nome na história local.
O Colete Encarnado.
7. A entrada na vida pública
José Van-Zeller Pereira Palha não foi apenas agricultor.
A sua personalidade levou-o também para a vida pública.
A partir de outubro de 1932, entrou para a vereação da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.
A sua experiência como vereador prolongou-se até julho de 1934.
Depois, assumiu o cargo de presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, função que exerceu entre julho de 1934 e abril de 1945.
Foram quase onze anos à frente do Município.
Este período coincide com uma fase importante da transformação de Vila Franca.
A cidade procurava melhorar infraestruturas, equipamentos e serviços.
José tinha uma relação muito próxima com a terra e procurava utilizar essa influência em benefício do concelho.
Os testemunhos publicados pelo Município descrevem-no como alguém muito interventivo na vida local e profundamente preocupado com o desenvolvimento da sua terra.
8. Um presidente de Câmara ligado à sua terra
Uma característica particularmente interessante de José Van-Zeller Pereira Palha era a dimensão localista da sua ação.
Segundo testemunho do seu neto José da Cunha Pereira Palha, citado pelo Município, o avô era mais "político da sua terra" do que político com grandes ambições nacionais.
Essa frase ajuda a compreender a sua personalidade.
A política, para José Van-Zeller Pereira Palha, parecia ter sobretudo uma finalidade prática:
resolver problemas da terra.
Melhorar a cidade.
Apoiar instituições.
Defender interesses locais.
Criar condições para o desenvolvimento.
Foi dentro dessa lógica que se envolveu em projetos como a construção da Ponte Marechal Carmona.
9. A Ponte Marechal Carmona
Um dos grandes melhoramentos associados à evolução de Vila Franca de Xira no século XX foi a construção da Ponte Marechal Carmona, sobre o Tejo.
A ligação entre as duas margens era uma necessidade importante.
A ponte viria a transformar as comunicações e a relação de Vila Franca com a margem sul.
José Van-Zeller Pereira Palha teve um papel importante na campanha pela construção da ponte.
Fontes históricas municipais e estudos sobre a obra referem a sua intervenção e a sua relação próxima com António de Oliveira Salazar. Essa proximidade terá ajudado a facilitar o diálogo entre os interesses locais e o Governo.
A campanha não nasceu apenas de uma pessoa.
Outros vilafranquenses e o jornal Vida Ribatejana também tiveram intervenção importante.
Mas José tornou-se uma das figuras associadas à defesa do projeto.
A sua influência local e os seus contactos políticos permitiram-lhe desempenhar um papel de interlocutor.
Para Vila Franca, a ponte era muito mais do que uma obra de engenharia.
Era uma nova ligação.
Era desenvolvimento.
Era futuro.
10. A relação com António de Oliveira Salazar
José Van-Zeller Pereira Palha manteve uma relação próxima com António de Oliveira Salazar.
Esta proximidade é referida em documentação relacionada com a Ponte Marechal Carmona e em estudos sobre a história local.
É importante, contudo, compreender essa relação dentro do contexto político da época.
José desempenhou funções municipais durante o Estado Novo.
Era um homem ligado às elites agrícolas e à administração local.
A sua influência junto do poder central podia ser utilizada para defender interesses concretos de Vila Franca.
A relação com Salazar terá sido particularmente importante no processo de reivindicação da ponte.
Não significa que todos os projetos locais dependessem exclusivamente dessa relação.
Significa, antes, que José tinha acesso a círculos de decisão que podia utilizar para tentar conseguir melhorias para o concelho.
11. A Avenida Constantino Palha
Outro episódio associado à sua intervenção na vida local foi a homenagem ao seu pai, Constantino Palha.
Segundo documentação municipal, José Van-Zeller Pereira Palha esteve ligado a melhorias e à fixação do nome de Constantino Palha à avenida correspondente ao atual Jardim Constantino Palha.
Era uma homenagem familiar, mas também revelava uma característica importante da sociedade da época.
As grandes famílias agrícolas faziam parte da própria história da cidade.
A memória familiar misturava-se frequentemente com a memória pública.
No caso dos Palha, essa presença era especialmente forte.
O nome Palha estava associado à agricultura, à criação de gado, à tauromaquia e à própria Praça de Toiros Palha Blanco.
José fazia parte dessa continuidade.
12. O abastecimento de água
Em 1945, outro melhoramento importante surge associado à sua ação municipal: o contrato de abastecimento de água potável no concelho.
Hoje, ter água canalizada parece absolutamente normal.
Na primeira metade do século XX, não era assim.
O abastecimento de água representava um enorme avanço para as populações.
Era uma questão de saúde pública, higiene e qualidade de vida.
A intervenção de José neste processo demonstra que a sua atividade municipal não se limitou às grandes questões simbólicas.
Existiam problemas concretos.
Água.
Infraestruturas.
Transportes.
Organização urbana.
Equipamentos.
Era também nesses aspetos que se media a capacidade de uma administração municipal.
13. O homem dos Bombeiros
Os Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira ocupavam um lugar especial na vida de José Van-Zeller Pereira Palha.
Ele exerceu funções de liderança na instituição, tendo presidido à Assembleia Geral e à Direção dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira.
E é precisamente aqui que encontramos uma das chaves para compreender o nascimento do Colete Encarnado.
A festa teve, desde o início, uma finalidade solidária:
angariar dinheiro para os Bombeiros.
Não nasceu apenas como uma celebração.
Nasceu também como uma iniciativa de apoio à comunidade.
O homem que gostava da lezíria e do campino encontrou uma forma de transformar essa paixão numa iniciativa que poderia beneficiar uma instituição fundamental para a população.
14. O nascimento do Colete Encarnado
Chegamos ao momento mais importante da sua vida pública.
O nascimento da Festa do Colete Encarnado.
A ideia surgiu, segundo os testemunhos recolhidos pelo Município, durante as suas deslocações à lezíria.
José observava o trabalho dos campinos.
Conhecia os seus hábitos.
Via o papel dos cavalos.
Conhecia o mundo dos toiros.
E começou a pensar numa festa que colocasse aquela realidade no centro das atenções.
O próprio explicou mais tarde que a convivência com a lezíria e os campinos o levou a imaginar uma grande festa na qual estivesse "bem posta em foco" a figura do campino.
Era uma ideia simples e, ao mesmo tempo, extraordinariamente poderosa.
Homenagear o campino.
Homenagear as gentes do campo.
Celebrar Vila Franca.
E angariar fundos para os Bombeiros.
15. Por que se chamou Colete Encarnado?
O nome escolhido foi Colete Encarnado.
A designação estava diretamente ligada à indumentária tradicional do campino.
O colete encarnado é uma das peças mais características do traje de gala do homem do campo ribatejano.
Ao escolher esse nome, José Van-Zeller Pereira Palha conseguiu condensar numa expressão toda uma identidade.
Não era simplesmente uma festa agrícola.
Não era simplesmente uma corrida de toiros.
Não era simplesmente uma feira.
Era uma homenagem ao campino.
O nome tornou-se rapidamente reconhecível.
E, décadas mais tarde, passou a ser praticamente sinónimo de Vila Franca de Xira.
16. 16 e 17 de julho de 1932
A primeira Festa do Colete Encarnado realizou-se nos dias 16 e 17 de julho de 1932.
A data é confirmada pelo Município de Vila Franca de Xira e por estudos sobre a figura do campino.
Foi um acontecimento extraordinário para a época.
Pela primeira vez, um número muito significativo de campinos desfilou pelas ruas da cidade.
Segundo a memória preservada pelo próprio José Van-Zeller Pereira Palha e reproduzida pelo Município, foram cerca de 60 campinos.
Era algo que não tinha precedente naquela dimensão.
Vila Franca assistiu à chegada dos homens da lezíria à cidade.
O campo entrou na cidade.
A paisagem rural ganhou uma representação pública.
E o campino passou a ser homenageado perante toda a comunidade.
17. A primeira festa
A primeira edição reuniu vários elementos que continuariam associados ao Colete Encarnado.
Houve desfile de campinos.
Houve largada.
Houve corrida de toiros.
Houve baile popular.
A festa combinava cultura rural, tauromaquia e entretenimento popular.
Também existiram manifestações culturais.
Nos primeiros anos, a festa contou com nomes importantes do fado, entre eles Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro e Maria Teresa de Noronha, que tinham ligação à família Palha.
A festa começava, portanto, a criar uma identidade própria.
Não era apenas para os lavradores.
Não era apenas para os aficionados.
Era para a cidade.
Era para o povo.
Era para os visitantes.
18. José não criou a festa sozinho
Um dos aspetos mais interessantes da personalidade de José Van-Zeller Pereira Palha é que ele nunca parece ter reivindicado sozinho o mérito da criação da festa.
Pelo contrário.
Fez questão de reconhecer os colaboradores.
Segundo documentação municipal, referiu como importantes colaboradores das primeiras festas a própria Vila Franca, com o seu "casticismo", Fausto Dias e o jornal Vida Ribatejana, Júlio Pelouro, Raul de Carvalho, Capitão Zé Maria Guedes, Rudolfo dos Santos e Noel Perdigão, entre outros.
Esta atitude é importante.
A ideia podia ter partido dele.
Mas uma festa popular só existe quando uma comunidade a abraça.
José percebeu isso.
O Colete Encarnado não era uma propriedade pessoal.
Era uma criação para Vila Franca.
19. A festa como homenagem ao campino
O coração da iniciativa era o campino.
O homem que trabalhava na lezíria.
O homem que conduzia o gado.
O homem que vivia a cavalo.
O homem que conhecia o campo.
O homem que representava uma profissão dura e exigente.
A Festa do Colete Encarnado transformou-o numa figura pública de honra.
Essa dimensão permanece até hoje.
Estudos sobre o património cultural do Ribatejo identificam o Colete Encarnado como uma homenagem permanente à figura do campino e ao homem ribatejano.
O campino deixou de ser apenas uma figura do quotidiano rural.
Passou a ser símbolo.
E isso foi uma transformação cultural muito importante.
20. A relação entre o campo e a cidade
Talvez uma das maiores ideias de José Van-Zeller Pereira Palha tenha sido perceber que Vila Franca não podia ser compreendida apenas através da sua área urbana.
A cidade estava ligada à lezíria.
O Tejo estava ligado à economia.
A agricultura estava ligada à cultura.
O cavalo estava ligado ao campino.
O campino estava ligado ao gado.
O toiro estava ligado à tauromaquia.
E a tauromaquia estava profundamente ligada à identidade local.
O Colete Encarnado juntou todas essas dimensões.
Por isso sobreviveu.
Porque não representava apenas uma atividade.
Representava uma comunidade inteira.
21. O Colete Encarnado e a identidade de Vila Franca
Com o passar dos anos, a festa tornou-se uma das principais marcas de Vila Franca de Xira.
Hoje, falar da cidade é também falar do Colete Encarnado.
O próprio Município afirma que a festa se tornou uma referência da tradição ribatejana.
A festa passou a reunir três elementos fundamentais da identidade local:
Tejo, Lezíria e Festa Brava.
A eles juntaram-se os campinos, cavalos, toiros, tertúlias, música e convívio popular.
Esta combinação explica a sua longevidade.
22. 1934: novas dimensões da festa
Em 1934, o Colete Encarnado incorporou novos elementos, incluindo feira de gados, corridas de toiros e concertos por bandas filarmónicas.
A festa estava a crescer.
Deixava de ser uma iniciativa relativamente pequena.
Começava a tornar-se uma grande manifestação pública.
A ligação à agricultura continuava presente.
A tauromaquia continuava presente.
A música e o entretenimento popular reforçavam a dimensão social.
A cidade começava a reconhecer o Colete Encarnado como um acontecimento anual.
23. 1942: a interrupção provocada pela guerra
Nem todos os anos foram fáceis.
Em 1942, a Festa do Colete Encarnado não se realizou devido às dificuldades e carências provocadas pela Segunda Guerra Mundial.
A partir de 1943, voltou a realizar-se e, segundo documentação municipal, manteve-se depois de forma praticamente contínua até à atualidade.
Este episódio mostra que a festa não viveu isolada da realidade nacional e internacional.
As guerras tinham consequências.
Havia escassez.
Havia dificuldades económicas.
E Vila Franca sentia esses efeitos.
Ainda assim, o Colete Encarnado conseguiu sobreviver.
24. José Van-Zeller Pereira Palha e a política municipal
Durante o período em que esteve à frente da Câmara, José teve de conciliar várias dimensões da sua personalidade.
Era agricultor.
Era proprietário.
Era dirigente associativo.
Era homem ligado à cultura local.
Era aficionado.
E era presidente do Município.
A sua ação política foi, por isso, profundamente marcada pela sua visão da terra.
Não se tratava apenas de administrar.
Tratava-se de defender uma ideia de Vila Franca.
Uma Vila Franca ligada à agricultura, ao Tejo, ao campo e às suas tradições.
25. A Associação Fraternal dos Artistas Vilafranquenses
José Van-Zeller Pereira Palha também esteve ligado à Associação Fraternal dos Artistas Vilafranquenses.
Segundo testemunho da sua filha, Maria Teresa Pereira Palha, presidiu à associação e esteve profundamente ligado às coletividades locais.
Também foi sócio honorário do Ateneu Artístico Vilafranquense.
Isto demonstra outra dimensão da sua personalidade.
Apesar de ser um grande proprietário rural, não viveu afastado da vida cultural da cidade.
Pelo contrário.
Participava nela.
Apoiava instituições.
Relacionava-se com artistas e associações.
E escrevia.
26. O jornalista e articulista
José Van-Zeller Pereira Palha foi também colaborador do jornal Vida Ribatejana.
As fontes municipais referem-no como um excecional articulista desse jornal.
O Vida Ribatejana teve grande importância na vida pública regional.
Era um espaço onde se discutiam problemas, acontecimentos e personalidades da região.
José utilizou esse espaço para expressar ideias e preservar memórias.
A sua entrevista de 1971 sobre o Colete Encarnado é particularmente importante porque permite ouvir, décadas depois, a explicação do próprio fundador sobre a origem da festa.
27. A relação com os trabalhadores do campo
A personalidade de José Van-Zeller Pereira Palha não pode ser analisada apenas através da posição social que ocupava.
Era um grande proprietário rural.
Mas os testemunhos familiares e documentais mostram que tinha contacto direto com os homens que trabalhavam nas suas propriedades.
Ia ao campo.
Conversava com os campinos.
Observava o seu trabalho.
Conhecia a realidade da lezíria.
Essa proximidade ajuda a explicar por que razão a sua festa foi concebida como uma homenagem ao campino.
Ele conhecia aquela realidade por experiência direta.
28. Uma visão romântica da lezíria
José tinha uma ligação quase contemplativa ao campo.
A fotografia era uma das formas através das quais exprimia essa relação.
Observava a natureza.
Fotografava paisagens.
Registava animais.
Guardava memórias.
Essa sensibilidade ajuda a compreender o modo como idealizou o Colete Encarnado.
A festa não era apenas uma exibição de força.
Era também uma celebração de uma paisagem.
A paisagem da lezíria.
O cavalo.
O campino.
O rio.
O toiro.
As ruas da cidade.
Tudo fazia parte da mesma imagem.
29. A importância do cavalo
O cavalo sempre ocupou um lugar central na cultura do campino.
Sem o cavalo, o trabalho tradicional do campino seria muito diferente.
José Van-Zeller Pereira Palha conhecia bem essa realidade.
A sua ligação à agricultura e à criação de animais permitia-lhe compreender a importância da equitação no quotidiano rural.
No Colete Encarnado, o cavalo tornou-se progressivamente um dos protagonistas.
Os desfiles de campinos a cavalo são hoje uma das imagens mais reconhecidas da festa.
É uma herança direta da ideia inicial.
30. O toiro e a identidade vilafranquense
Seria impossível falar de José Van-Zeller Pereira Palha sem falar do toiro.
A família Palha estava profundamente ligada à criação de gado bravo.
A ganadaria Palha tinha uma longa história e uma importante presença no mundo tauromáquico. A sua antiguidade remonta ao século XIX e a divisa Palha tornou-se conhecida tanto em Portugal como em Espanha.
Para Vila Franca, o toiro fazia parte da identidade local.
A Praça Palha Blanco era um dos centros dessa cultura.
O Colete Encarnado incorporou naturalmente a tauromaquia.
Mas é importante perceber que a festa não se limitava à corrida de toiros.
O centro simbólico era o campino.
Essa combinação tornou a festa diferente.
31. Uma festa que nasceu antes das tertúlias modernas
As tertúlias tauromáquicas que hoje fazem parte do ambiente do Colete Encarnado não tinham, nos primeiros tempos, a mesma dimensão que adquiriram posteriormente.
O neto de José Van-Zeller Pereira Palha recordou que, nos primeiros anos, o avô circulava pela festa, pelas ruas e pelas casas engalanadas, enquanto as tertúlias surgiriam mais tarde como uma componente mais visível.
Isso ajuda a compreender a evolução da festa.
O Colete Encarnado não nasceu com o formato atual.
Foi crescendo.
Foi absorvendo novas tradições.
Foi ganhando novos espaços.
E foi-se tornando uma manifestação coletiva cada vez mais complexa.
32. O homem por trás do símbolo
Quando atualmente se fala no fundador do Colete Encarnado, existe o risco de transformar José Van-Zeller Pereira Palha numa espécie de personagem distante.
Mas os testemunhos deixam perceber um homem concreto.
Gostava da natureza.
Gostava da fotografia.
Gostava do campo.
Gostava de cavalos.
Gostava dos campinos.
Gostava de Vila Franca.
Tinha sentido de humor.
Era interveniente.
Era um homem de relações.
E acreditava que podia ser útil à sua terra.
É precisamente esta dimensão humana que torna a sua história interessante.
33. A sua relação com Vila Franca
Um dos testemunhos mais fortes sobre a personalidade de José é o do seu neto.
Segundo a memória familiar publicada pelo Município, José "vivia para as pessoas" e preocupava-se com muitas coisas que diziam respeito à comunidade.
Pode discutir-se a visão social ou política de um homem da sua época.
Mas é difícil negar a intensidade da sua ligação a Vila Franca.
A sua intervenção abrangeu áreas muito diferentes.
Agricultura.
Cultura.
Política.
Assistência.
Bombeiros.
Infraestruturas.
Tauromaquia.
Fotografia.
Jornalismo.
E festas populares.
34. O papel dos Bombeiros no nascimento da festa
Existe uma espécie de círculo perfeito na história do Colete Encarnado.
José estava ligado aos Bombeiros.
Queria homenagear os campinos.
Queria celebrar a terra.
E precisava de angariar fundos para uma instituição essencial.
A solução foi juntar tudo numa festa.
O dinheiro obtido com a iniciativa destinava-se aos Bombeiros Voluntários.
Assim, a festa tinha uma dimensão de solidariedade.
Era diversão, mas também serviço.
Era tradição, mas também apoio social.
Era cultura, mas também comunidade.
Essa origem permanece fundamental para compreender o significado original do Colete Encarnado.
35. O legado cultural
O maior legado de José Van-Zeller Pereira Palha não é uma obra física.
É uma tradição.
A Ponte Marechal Carmona é uma obra monumental.
O abastecimento de água foi uma melhoria fundamental.
A atividade municipal teve consequências concretas.
Mas o Colete Encarnado teve outra característica:
continua vivo.
Décadas depois da sua morte, milhares de pessoas continuam a reunir-se em Vila Franca para celebrar a festa que ele idealizou.
O campino continua a ser homenageado.
Os cavalos continuam a desfilar.
As ruas continuam a encher-se.
A música continua.
As tertúlias continuam.
O toiro continua presente.
A lezíria continua a ser o cenário emocional da festa.
36. O Colete Encarnado depois de José
José Van-Zeller Pereira Palha morreu em 1978.
Mas a festa não morreu com ele.
Isso é talvez a maior prova da força da sua ideia.
Uma tradição só sobrevive quando deixa de pertencer ao seu fundador e passa a pertencer à comunidade.
O Colete Encarnado tornou-se património emocional de Vila Franca de Xira.
Hoje, a própria Câmara Municipal apresenta a festa como uma celebração central da identidade local.
37. A importância do ano de 1957
Em 1957, realizou-se uma homenagem a Constantino Palha e a José Van-Zeller Pereira Palha durante as festas do Colete Encarnado.
Nesse ano comemoravam-se os 25 anos da festa.
A documentação fotográfica municipal regista José Van-Zeller Pereira Palha acompanhado pelo presidente da Câmara, José de Sousa Nazareth, durante a homenagem. A celebração decorreu entre 13 e 15 de julho de 1957.
Era um momento simbólico.
Tinham passado 25 anos desde 1932.
A ideia que começara com uma festa para os campinos e para os Bombeiros já era parte da tradição da cidade.
E o seu fundador ainda estava vivo para assistir a essa homenagem.
38. José e a memória familiar
A influência de José não terminou nos filhos.
Passou também para os netos.
Um dos seus netos, José da Cunha Pereira Palha, tornou-se posteriormente uma figura conhecida no mundo da criação de cavalos e da tauromaquia e manteve uma ligação muito forte a Vila Franca de Xira.
Quando recordava o avô, falava da relação com o campo, com os campinos e com o Colete Encarnado.
A própria família conservou memórias, fotografias e histórias da sua vida.
Assim, o legado de José não sobreviveu apenas nos documentos.
Sobreviveu também na memória familiar.
39. A família e a continuidade da tradição
A história posterior da família mostra como a ligação aos cavalos, aos toiros e ao campo continuou.
Fernando Van-Zeller Pereira Palha, primo de José e conhecido criador de gado, tratava-o por tio e recordava a importância da sua figura. Fernando nasceu em 1932, precisamente no ano da primeira edição do Colete Encarnado.
A coincidência é curiosa.
Enquanto José criava a festa, nascia uma nova geração da família que continuaria ligada à cultura rural e tauromáquica.
40. Um homem de transição entre épocas
José Van-Zeller Pereira Palha nasceu em 1895.
Quando nasceu, Portugal ainda era uma monarquia.
Quando morreu, em 1978, o país estava a construir uma nova democracia.
Entre essas duas datas passaram-se 83 anos de enormes mudanças.
Ele viu desaparecer o mundo político em que nasceu.
Viu a República nascer.
Viu a sociedade rural transformar-se.
Viu a industrialização.
Viu a modernização das cidades.
Viu a construção de grandes infraestruturas.
Viu o Estado Novo.
Viu a Segunda Guerra Mundial.
Viu a Revolução de Abril.
E morreu num país profundamente diferente daquele em que tinha nascido.
41. O homem do século XX vilafranquense
A vida de José pode ser lida como uma espécie de espelho da própria transformação de Vila Franca de Xira.
Nasceu num concelho essencialmente rural.
Cresceu ligado à agricultura.
Tornou-se administrador de uma grande casa agrícola.
Entrou na vida associativa.
Entrou na política municipal.
Defendeu infraestruturas.
Apoiou instituições.
Criou uma grande festa popular.
Registou fotograficamente a paisagem.
E assistiu à modernização da sua terra.
Por isso, estudar José Van-Zeller Pereira Palha é também estudar Vila Franca de Xira.
42. A morte de José Van-Zeller Pereira Palha
José Van-Zeller Pereira Palha morreu em 15 de julho de 1978, em Vila Franca de Xira.
Tinha 82 anos, se considerarmos como data de nascimento 16 de setembro de 1895.
A informação genealógica regista precisamente:
Nascimento: 16 de setembro de 1895 — Vila Franca de Xira
Falecimento: 15 de julho de 1978 — Vila Franca de Xira.
O Município confirma o período de vida como 1895-1978, embora não indique, na publicação consultada, o dia exato do falecimento.
É importante deixar esta distinção clara porque, quando se escreve uma biografia para publicação, é preferível explicar uma pequena divergência documental do que apresentar como absoluta uma informação que as fontes não apresentam de forma totalmente uniforme.
43. A última etapa da sua vida
Quando morreu, José já tinha assistido a quase meio século de existência do Colete Encarnado.
A primeira festa tinha acontecido em 1932.
Ele viveria mais 46 anos.
Durante esse tempo, viu a festa crescer, transformar-se e ganhar uma importância que talvez nem ele próprio pudesse imaginar no primeiro ano.
Em 1957, participou nas comemorações dos 25 anos.
Depois viu outras gerações assumir a organização e a vivência da festa.
Quando morreu, em 1978, a Festa do Colete Encarnado já não dependia dele.
Tinha-se tornado uma tradição.
44. O que ficou depois da sua morte
A morte de José Van-Zeller Pereira Palha não significou o desaparecimento da sua influência.
Pelo contrário.
Com o passar do tempo, a sua importância foi sendo cada vez mais reconhecida.
Hoje é recordado principalmente como fundador ou mentor do Colete Encarnado.
Mas as fontes municipais destacam também o seu percurso como lavrador, presidente da Câmara, dirigente associativo, fotógrafo e homem profundamente ligado à comunidade.
A sua memória continua associada à própria identidade vilafranquense.
45. O Colete Encarnado no século XXI
A festa que nasceu em 1932 continua a realizar-se.
O Município de Vila Franca de Xira mantém a narrativa histórica que identifica José Van-Zeller Pereira Palha como a figura principal do grupo que esteve na origem da primeira edição.
Ao longo do tempo, a festa incorporou novas formas de expressão.
Tertúlias.
Concertos.
Desfiles.
Esperas e largadas.
Corridas de toiros.
Homenagens.
Convívio.
Gastronomia.
Fado.
Cultura popular.
Mas o centro continua reconhecível.
O campino.
46. A homenagem ao campino
A Festa do Colete Encarnado tornou-se uma espécie de grande palco anual para a homenagem ao campino.
O homem do campo, que no início do século XX trabalhava longe dos centros urbanos, passou a ter um momento próprio de reconhecimento público.
Esta é talvez a maior contribuição cultural de José.
Ele percebeu que a tradição não devia ficar escondida na lezíria.
Devia entrar na cidade.
Devia ser vista.
Devia ser celebrada.
Devia ser transmitida às gerações seguintes.
47. Uma ideia simples que se tornou património
É impressionante pensar na simplicidade da ideia original.
Uma festa.
Campinos.
Cavalos.
Toiros.
Música.
Vila Franca.
Bombeiros.
Mas dessa combinação nasceu uma tradição que atravessou quase um século.
O Município considera o Colete Encarnado uma referência da tradição ribatejana.
Estudos académicos e patrimoniais também o identificam como uma das manifestações mais importantes da cultura popular de Vila Franca de Xira e do Ribatejo.
48. A dimensão social do seu legado
Existe ainda uma dimensão social que não deve ser esquecida.
O objetivo inicial de angariar fundos para os Bombeiros mostra que José compreendia a importância das instituições locais.
Os Bombeiros eram, e continuam a ser, uma estrutura fundamental para a comunidade.
A criação da festa permitiu associar cultura e solidariedade.
Essa combinação continua atual.
Uma comunidade celebra aquilo que é seu e, simultaneamente, apoia quem está ao seu serviço.
49. José Van-Zeller Pereira Palha e a fotografia como memória
A fotografia também merece voltar a ser destacada.
José viveu numa época em que as transformações do Ribatejo foram profundas.
Muitas paisagens que fotografou mudariam.
Muitos costumes desapareceriam.
Muitos trabalhadores envelheceriam.
Muitos animais deixariam de ser utilizados da mesma forma.
As fotografias tornaram-se, por isso, documentos históricos.
Elas ajudam a recuperar uma Vila Franca que já não existe exatamente como existia no seu tempo.
Nesse sentido, José não foi apenas fotógrafo.
Foi também, involuntariamente, um guardião da memória.
50. A importância da memória escrita
A sua colaboração com o Vida Ribatejana teve uma função semelhante.
As fotografias preservavam imagens.
Os textos preservavam ideias.
A entrevista de 1971 é particularmente valiosa porque permite compreender a própria visão do fundador.
Quase quatro décadas depois da primeira festa, José ainda explicava como a ideia tinha surgido.
Isso demonstra que o Colete Encarnado continuava profundamente ligado à sua identidade.
51. A personalidade
Os testemunhos familiares apresentam José como um homem de personalidade forte.
Era interventivo.
Era apaixonado.
Era observador.
Tinha grande ligação à natureza.
Gostava de arte.
Gostava de fotografia.
Gostava do campo.
E tinha uma forte ligação humana à cidade.
O neto recordou que possuía um carisma especial e uma preocupação constante com a comunidade.
Essa combinação explica, em parte, a capacidade que teve para mobilizar pessoas.
52. A liderança
Criar uma festa com dezenas de campinos, organizar atividades e mobilizar proprietários, instituições e população exigia capacidade de liderança.
José tinha essa capacidade.
Mas também tinha algo igualmente importante:
conhecimento.
Conhecia os lavradores.
Conhecia os campinos.
Conhecia os animais.
Conhecia a cidade.
Conhecia as instituições.
Conhecia os meios de comunicação locais.
E tinha contactos políticos.
Estava, portanto, numa posição privilegiada para transformar uma ideia em realidade.
53. O papel do jornal Vida Ribatejana
O jornal Vida Ribatejana foi um parceiro importante na construção do ambiente cultural em torno da festa.
José reconheceu publicamente a importância de Fausto Dias e do jornal na organização das primeiras edições.
A imprensa regional desempenhava então uma função fundamental.
Divulgava acontecimentos.
Criava opinião.
Promovia iniciativas.
Preservava memórias.
E ajudava a criar identidade regional.
O Colete Encarnado beneficiou dessa rede.
54. A dimensão cultural
É tentador considerar o Colete Encarnado apenas uma festa taurina.
Mas a sua origem e evolução mostram algo mais complexo.
A festa é também cultura popular.
É música.
É dança.
É traje.
É gastronomia.
É fotografia.
É memória.
É oralidade.
É convívio.
É paisagem.
É património.
E tudo começou com uma homenagem ao homem do campo.
55. O homem que transformou uma profissão em símbolo
Antes do Colete Encarnado, o campino era sobretudo um trabalhador rural.
Depois da festa, a sua imagem ganhou uma dimensão simbólica muito maior.
O barrete.
O colete encarnado.
O cavalo.
O pampilho.
A postura.
A relação com o gado.
Tudo passou a representar o Ribatejo.
É precisamente esta transformação simbólica que torna a iniciativa de José Van-Zeller Pereira Palha tão relevante.
Ele não inventou o campino.
O campino já existia.
Mas ajudou a transformá-lo num símbolo público da região.
56. A visão de José
A grande visão de José pode resumir-se numa ideia:
a identidade de uma terra deve ser celebrada através das pessoas que a constroem.
Para ele, o campino não era simplesmente parte da paisagem.
Era uma das pessoas que construíam essa paisagem.
O agricultor.
O trabalhador.
O cavaleiro.
O homem da lezíria.
Por isso merecia uma festa.
57. O contraste social da época
A história de José também deve ser vista com sentido histórico.
Ele era um grande proprietário rural.
Os campinos eram trabalhadores.
Existia uma clara diferença social entre os dois grupos.
A Festa do Colete Encarnado nasceu, portanto, num contexto social específico.
Ao mesmo tempo que celebrava o campino, refletia a sociedade rural do Ribatejo daquela época.
Esta dimensão não diminui a importância cultural da festa.
Pelo contrário.
Ajuda-nos a compreender melhor o contexto em que nasceu.
58. O Ribatejo idealizado
O Colete Encarnado também ajudou a construir uma imagem idealizada do Ribatejo.
O campino elegante.
O cavalo.
O toiro bravo.
A lezíria.
O Tejo.
As ruas enfeitadas.
A música.
A coragem.
A tradição.
Essa imagem tornou-se parte da identidade cultural da região.
E José foi uma das pessoas que mais contribuiu para essa construção.
59. O legado político
Como presidente da Câmara entre 1934 e 1945, José deixou também uma marca administrativa.
O seu período de presidência coincidiu com obras e processos importantes para o concelho.
A construção da ponte, o abastecimento de água e outras intervenções fazem parte desse legado.
A sua influência ultrapassava, portanto, a festa.
60. O legado associativo
Nos Bombeiros, no Ateneu e na Associação Fraternal dos Artistas Vilafranquenses, José deixou outra marca.
Era um homem que acreditava nas instituições.
Não se limitava à vida política.
Participava no movimento associativo.
Esta característica era importante numa época em que as coletividades tinham um enorme peso na vida social das cidades portuguesas.
61. Um homem ligado às pessoas
A documentação familiar e municipal transmite uma ideia muito clara:
José gostava de pessoas.
Gostava de conversar.
Gostava de observar.
Gostava de participar.
E gostava de Vila Franca.
Não era um homem desligado da comunidade.
Era, pelo contrário, uma das suas figuras mais visíveis.
62. A dimensão emocional do Colete Encarnado
Talvez seja por isso que o Colete Encarnado tenha adquirido uma dimensão emocional tão forte.
Não é apenas uma festa.
Para muitos vilafranquenses, é uma reunião anual com a própria memória.
É recordar familiares.
É recordar antigos campinos.
É recordar cavalos.
É recordar ruas.
É recordar tertúlias.
É recordar pessoas que já morreram.
A festa tornou-se um ritual de memória coletiva.
63. José como símbolo de Vila Franca
Com o passar das décadas, José Van-Zeller Pereira Palha deixou de ser apenas uma pessoa histórica.
Passou a ser um símbolo.
O símbolo de uma geração de homens ligados à agricultura.
O símbolo de uma Vila Franca profundamente rural.
O símbolo de uma época em que a cidade e a lezíria estavam intimamente ligadas.
E, acima de tudo, o símbolo do nascimento do Colete Encarnado.
64. 1895–1978: uma vida inteira
As duas datas que resumem a sua existência são:
16 de setembro de 1895 — nascimento
15 de julho de 1978 — morte
Entre elas estão 82 anos de vida.
Mas, historicamente, estão quase oito décadas de transformações.
José nasceu no século XIX e morreu no século XX.
Nasceu numa monarquia e morreu numa democracia.
Nasceu antes do automóvel se tornar comum e morreu numa sociedade moderna.
Nasceu num Portugal rural e morreu num Portugal profundamente urbanizado e industrializado.
65. Cronologia essencial
1895 — Nasce José Van-Zeller Pereira Palha, em Vila Franca de Xira. A data de 16 de setembro é indicada por fontes genealógicas; uma publicação municipal apresenta 16 de novembro.
1924 — Assume a gestão da Casa Agrícola e da Ganadaria Palha, segundo documentação municipal.
1928 — É associado à realização de uma Feira de Gado e Máquinas Agrícolas em Vila Franca de Xira.
1930 — Nova edição da Feira de Gado e Máquinas Agrícolas.
1932 — Entra na vereação da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e cria, com outros vilafranquenses, a Festa do Colete Encarnado.
16 e 17 de julho de 1932 — Primeira Festa do Colete Encarnado.
1934 — Assume a presidência da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.
1934 — O Colete Encarnado ganha novos elementos, incluindo feira de gados, corridas de toiros e concertos.
1937 — Morre José Pereira Palha Blanco, seu avô, e ocorre posteriormente a reorganização da gestão familiar.
1942 — O Colete Encarnado não se realiza devido às dificuldades provocadas pela Segunda Guerra Mundial.
1943 — A festa regressa.
1945 — Termina o seu período como presidente da Câmara, em abril; nesse ano é também associado ao contrato de abastecimento de água potável ao concelho.
1957 — Participa na homenagem dos 25 anos do Colete Encarnado.
1971 — Dá entrevista ao Vida Ribatejana explicando a origem da ideia da festa.
1974 — Assiste à Revolução de 25 de Abril e à transformação política de Portugal.
15 de julho de 1978 — Morre em Vila Franca de Xira.
66. A importância de 1932
Se tivéssemos de escolher apenas uma data da vida de José Van-Zeller Pereira Palha, seria naturalmente 1932.
Foi o ano em que a sua ideia ganhou forma.
Foi o ano em que 60 campinos desfilaram pelas ruas.
Foi o ano em que Vila Franca começou uma tradição que atravessaria gerações.
E foi o ano em que uma iniciativa destinada também a ajudar os Bombeiros começou a transformar-se numa das maiores festas populares do Ribatejo.
67. A importância de 1945
Outra data importante é 1945.
Nesse ano terminou o seu período como presidente da Câmara.
Tinham passado cerca de onze anos desde que assumira a presidência.
Durante esse período, José deixou uma marca importante na administração local.
A cidade tinha mudado.
A festa tinha crescido.
E a sua influência na vida pública vilafranquense estava consolidada.
68. A importância de 1957
1957 foi um momento de consagração.
Tinham passado 25 anos desde a primeira edição.
José ainda estava vivo.
E a cidade homenageava-o juntamente com a memória de seu pai, Constantino Palha.
A fotografia desse momento é especialmente simbólica porque mostra o fundador caminhando pela cidade durante a festa que tinha criado.
69. A importância de 1971
Em 1971, José voltou a falar publicamente sobre a origem do Colete Encarnado.
Tinha então cerca de 75 anos.
Já tinham passado quase quatro décadas desde 1932.
A entrevista é importante porque demonstra que a ideia permanecia viva na sua memória.
O homem que tinha observado os campinos na lezíria continuava a recordar aquela inspiração inicial.
70. 1978: o fim de uma vida
Em julho de 1978, José morreu.
Portugal tinha passado por uma transformação política profunda apenas quatro anos antes.
O país era agora diferente.
Vila Franca também.
A agricultura tradicional começava a sofrer grandes mudanças.
As relações sociais tinham-se transformado.
O mundo rural que José conhecera na juventude estava a desaparecer lentamente.
Mas uma coisa permanecia:
o Colete Encarnado.
71. A morte não apagou a ideia
José morreu.
A festa continuou.
Essa é talvez a melhor definição de legado.
Uma ideia verdadeiramente forte não termina com o seu criador.
Passa para outras mãos.
É adaptada.
É discutida.
É transformada.
Mas continua.
Foi isso que aconteceu com o Colete Encarnado.
72. O reconhecimento municipal
O Município de Vila Franca de Xira continua a reconhecer José Van-Zeller Pereira Palha como fundador ou principal mentor da Festa do Colete Encarnado.
Publicações municipais dedicadas à história da festa apresentam-no como uma figura proeminente da cidade, lavrador conceituado e antigo presidente da Câmara.
Essa memória institucional é importante.
Demonstra que a cidade reconhece a sua contribuição para a história local.
73. O reconhecimento cultural
Estudos dedicados à figura do campino também reconhecem a importância de José.
Uma publicação de Etnográfica Press identifica o Colete Encarnado como uma das manifestações mais importantes do calendário festivo de Vila Franca de Xira e apresenta José Van-Zeller Pereira Palha como o homem que impulsionou a festa em 1932.
Assim, a sua importância não é apenas uma memória familiar.
É reconhecida também no âmbito cultural e patrimonial.
74. Um nome inseparável de Vila Franca
Há nomes que se tornam inseparáveis das cidades.
Em Vila Franca de Xira, José Van-Zeller Pereira Palha é um desses nomes.
Quando se fala no Colete Encarnado, inevitavelmente surge o seu nome.
Quando se fala na história da festa, surge novamente.
Quando se fala na relação entre o campino e a cidade, surge novamente.
Quando se fala da vida municipal da primeira metade do século XX, surge também.
75. A sua visão da tradição
José não parece ter visto a tradição como algo estático.
A sua própria criação demonstra isso.
Ele pegou numa realidade existente — o campino, a lezíria, o cavalo, o toiro — e transformou-a numa festa urbana.
Criou uma nova forma de apresentar a tradição.
A tradição passou a ser espetáculo.
Mas também homenagem.
76. A força da comunidade
O sucesso do Colete Encarnado demonstra outra coisa:
José teve uma ideia, mas foi Vila Franca que a transformou em património.
Uma festa não pode ser criada apenas por decreto.
Precisa de pessoas.
Precisa de participação.
Precisa de entusiasmo.
Precisa de memória.
E Vila Franca respondeu.
Os campinos vieram.
Os lavradores colaboraram.
As associações participaram.
Os Bombeiros beneficiaram.
A população aderiu.
E a festa cresceu.
77. Uma ideia nascida na lezíria
É bonito pensar que uma das maiores festas de Vila Franca nasceu, simbolicamente, fora da cidade.
Nasceu na contemplação da lezíria.
José observava.
Via os campinos.
Via os cavalos.
Via os toiros.
Via a paisagem.
E imaginou aquela realidade entrando na cidade.
Foi isso que aconteceu.
A lezíria entrou em Vila Franca.
78. O campino entra na cidade
Antes do Colete Encarnado, o campino pertencia essencialmente ao campo.
Com a festa, passou a desfilar pelas ruas.
A sua imagem tornou-se pública.
A cidade começou a celebrar a sua figura.
Esta mudança pode parecer simples, mas teve uma enorme importância simbólica.
O homem rural tornou-se representante de uma identidade regional.
79. O papel da memória
A memória é uma das palavras que melhor definem o legado de José.
Ele próprio gostava de fotografar.
A festa foi criada para celebrar costumes.
As fotografias preservaram imagens.
Os jornais preservaram palavras.
Os familiares preservaram histórias.
E a cidade preservou a tradição.
É por isso que, quase um século depois, ainda podemos reconstruir a sua vida.
80. O que José Van-Zeller Pereira Palha representa hoje
Hoje, José Van-Zeller Pereira Palha representa várias coisas ao mesmo tempo.
Representa a antiga sociedade agrícola.
Representa a ligação entre Vila Franca e a lezíria.
Representa a cultura do campino.
Representa a tradição tauromáquica.
Representa o associativismo local.
Representa uma época importante da administração municipal.
E representa, sobretudo, o nascimento do Colete Encarnado.
81. Uma vida ligada à terra
Se fosse necessário resumir a sua vida numa única palavra, essa palavra poderia ser:
terra.
A terra enquanto território.
A terra enquanto agricultura.
A terra enquanto comunidade.
A terra enquanto memória.
A terra enquanto identidade.
José viveu profundamente ligado a Vila Franca.
82. Uma vida ligada ao campo
O campo foi uma das grandes referências da sua existência.
A Casa Agrícola.
A Ganadaria.
Os campinos.
Os cavalos.
Os toiros.
A fotografia.
A natureza.
Tudo isso fazia parte do seu universo.
E tudo isso acabou por entrar no Colete Encarnado.
83. Uma vida ligada às pessoas
Mas não foi apenas o campo.
José também esteve ligado às pessoas.
Aos Bombeiros.
Aos artistas.
Às associações.
À Câmara.
Aos trabalhadores.
Aos lavradores.
Aos jornalistas.
Aos familiares.
Aos habitantes de Vila Franca.
Foi essa dimensão humana que permitiu que a sua ideia ultrapassasse a propriedade familiar.
84. A grande herança
A maior herança de José Van-Zeller Pereira Palha não está numa casa.
Não está numa fotografia.
Não está num cargo.
Não está sequer numa propriedade.
Está numa tradição.
Todos os anos, quando os campinos voltam a desfilar pelas ruas de Vila Franca de Xira, o nome de José está presente, mesmo que muitas pessoas não pensem nisso.
Quando um cavalo atravessa a cidade durante o Colete Encarnado, existe uma ligação com a visão que ele teve.
Quando o campino é homenageado, está a cumprir-se a intenção original.
Quando milhares de pessoas se juntam para celebrar a festa, a ideia de 1932 continua viva.
85. José Van-Zeller Pereira Palha e o futuro
O futuro do Colete Encarnado será naturalmente diferente do passado.
As festas mudam.
As cidades mudam.
As pessoas mudam.
A agricultura muda.
A própria relação da sociedade com a tauromaquia é objeto de debate.
Mas a memória histórica de José continua importante porque permite compreender de onde veio a festa.
Conhecer o fundador não significa concordar com todas as ideias da sua época.
Significa compreender o contexto histórico.
Significa perceber como uma comunidade construiu a sua identidade.
86. A importância de contar a sua história
Contar a história de José Van-Zeller Pereira Palha é importante porque muitas vezes conhecemos os grandes acontecimentos mas esquecemos as pessoas que estiveram na sua origem.
Hoje sabemos o que é o Colete Encarnado.
Sabemos que acontece em Vila Franca.
Sabemos que envolve campinos.
Sabemos que tem cavalos, toiros, música e tradição.
Mas é importante saber que, em 1932, um homem olhou para a realidade da lezíria e pensou:
é preciso celebrar isto.
É preciso homenagear estes homens.
É preciso mostrar esta cultura.
É preciso juntar a cidade.
É preciso ajudar os Bombeiros.
E dessa ideia nasceu uma festa que sobreviveu ao seu criador.
87. A última imagem
Talvez a imagem mais bonita para recordar José Van-Zeller Pereira Palha seja precisamente a de um homem mais velho, já depois de décadas de vida pública, caminhando pelas ruas da sua cidade durante o Colete Encarnado.
Em 1957, nas comemorações dos 25 anos da festa, foi fotografado durante uma homenagem a si e ao seu pai.
A fotografia mostra algo que os documentos escritos nem sempre conseguem transmitir.
Mostra um homem dentro da própria obra.
A festa que tinha imaginado já não era apenas dele.
Era da cidade.
E ele caminhava dentro dela como parte da sua própria história.
88. Conclusão
● José Van-Zeller Pereira Palha foi muito mais do que o fundador do Colete Encarnado.
● Foi um homem profundamente ligado a Vila Franca de Xira e ao Ribatejo.
● Foi lavrador.
● Foi administrador agrícola.
● Foi homem ligado à ganadaria.
● Foi fotógrafo.
● Foi articulista.
● Foi dirigente associativo.
● Foi presidente dos Bombeiros.
● Foi presidente da Câmara Municipal.
● Foi defensor de melhoramentos para o concelho.
● E foi, sobretudo, um apaixonado pela sua terra.
Nasceu em 1895, em Vila Franca de Xira, numa família profundamente ligada à agricultura e à tauromaquia.
Em 1924, assumiu responsabilidades na gestão da Casa Agrícola e da Ganadaria Palha.
Na década de 1920, participou na dinamização da atividade agrícola local.
Em 1932, entrou na vereação municipal e, nesse mesmo ano, concretizou a ideia que mudaria para sempre o calendário festivo da cidade.
Nos dias 16 e 17 de julho de 1932, realizou-se a primeira Festa do Colete Encarnado.
Sessenta campinos desfilaram pelas ruas.
A cidade assistiu a uma homenagem inédita ao homem da lezíria.
A festa tinha também uma finalidade solidária: ajudar os Bombeiros Voluntários.
Dois anos depois, em 1934, José assumiu a presidência da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, cargo que manteve até abril de 1945.
Durante esse período, esteve ligado a vários melhoramentos e iniciativas importantes para o concelho.
Defendeu a construção da Ponte Marechal Carmona.
Interveio em questões relacionadas com o abastecimento de água.
Participou na vida associativa.
Manteve ligação aos Bombeiros, ao Ateneu e à Associação Fraternal dos Artistas Vilafranquenses.
Continuou ligado à cultura local e à fotografia.
Em 1957, assistiu às comemorações dos 25 anos do Colete Encarnado.
Em 1971, voltou a explicar a origem da festa numa entrevista ao Vida Ribatejana.
Em 1978, depois de uma vida inteira dedicada à sua terra, morreu em Vila Franca de Xira.
A data registada por fontes genealógicas é 15 de julho de 1978.
José Van-Zeller Pereira Palha morreu, mas a sua ideia permaneceu.
E talvez seja esse o maior elogio que se pode fazer a um homem.
Não ser lembrado apenas porque teve um cargo.
Não ser lembrado apenas porque pertenceu a uma família importante.
Não ser lembrado apenas porque foi proprietário.
Mas ser lembrado porque deixou alguma coisa que continuou depois dele.
José deixou uma festa.
Mas deixou muito mais do que uma festa.
Deixou uma maneira de olhar para Vila Franca.
Uma maneira de olhar para o campino.
Uma maneira de olhar para a lezíria.
Uma maneira de olhar para a tradição.
E, acima de tudo, deixou uma memória.
Todos os anos, quando o Colete Encarnado regressa às ruas de Vila Franca de Xira, o passado encontra-se com o presente.
Os cavalos voltam a desfilar.
Os campinos voltam a vestir o seu traje.
O encarnado volta a encher as ruas.
A cidade volta a celebrar.
E, entre a multidão, a música, o som dos cascos e a memória da lezíria, permanece a ideia daquele homem que um dia olhou para o campo e percebeu que o campino merecia uma festa.
Esse homem chamava-se José Van-Zeller Pereira Palha.
Nasceu em 1895.
Morreu em 1978.
Mas a sua obra continua viva.
E enquanto houver um Colete Encarnado em Vila Franca de Xira, o seu nome continuará ligado à história da cidade.
José Van-Zeller Pereira Palha não foi apenas um homem do seu tempo. Tornou-se parte do tempo da própria Vila Franca de Xira.
Ficha biográfica
Nome: José Van-Zeller Pereira Palha
Nascimento: 16 de setembro de 1895, Vila Franca de Xira - data indicada por fontes genealógicas; uma publicação municipal de 2013 indica 16 de novembro de 1895.
Falecimento: 15 de julho de 1978, Vila Franca de Xira.
Família: Filho de Constantino Nicolau Pereira Palha e Maria do Patrocínio Palha van Zeller.
Profissão/atividade: Lavrador, proprietário rural, administrador agrícola e dirigente cívico.
Presidente da Câmara Municipal: julho de 1934 a abril de 1945.
Vereador: outubro de 1932 a julho de 1934.
Principal legado: Mentor e fundador da Festa do Colete Encarnado, cuja primeira edição ocorreu em 16 e 17 de julho de 1932.
Ligação aos Bombeiros: Presidente da Assembleia Geral e da Direção dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira.
Outras áreas: Fotografia, jornalismo, associativismo, agricultura, cultura local e tauromaquia.
Idade à morte: 82 anos, considerando a data de nascimento de 16 de setembro de 1895.
Nota: Publicado 16 de setembro de 1895.
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"A história continua a ser escrita. Voltaremos a atualizar esta página sempre que surgirem novos documentos, fotografias ou informações sobre José Van Zeller Pereira Palha de Vila Franca de Xira - VFX."
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