Quando se fala da Festa do Colete Encarnado VFX, em Vila Franca de Xira, é impossível não falar das Tertúlias. São uma das imagens mais características da festa e representam muito mais do que simples locais de convívio. Ao longo das décadas, as Tertúlias tornaram-se espaços onde se preservam amizades, tradições, memórias e uma forma muito própria de viver o Colete Encarnado.
A história da Festa começou em 1932, quando um grupo de vila-franquenses, liderado por José Van-Zeller Pereira Palha, promoveu a primeira edição, realizada nos dias 16 e 17 de julho. A iniciativa nasceu como homenagem ao Campino e às pessoas ligadas ao trabalho no campo, mas rapidamente se transformou numa referência das tradições ribatejanas.
História das Tertúlias no Colete Encarnado VFX, em Vila Franca de Xira, celebrando a tradição, amizade e cultura ribatejana. Uma viagem pelas tertúlias, pelos campinos, cavalos e momentos de convívio que fazem parte da identidade da Festa. Vila Franca de Xira, onde a tradição do Colete Encarnado passa de geração em geração. Foto Autor : CEVFX ColeteEncarnadoVFX 2026
O nascimento de uma tradição de convívio
As Tertúlias foram ganhando espaço dentro desta cultura festiva. Mais do que simples associações ou espaços de encontro, passaram a funcionar como verdadeiros pontos de reunião de grupos de amigos, famílias e aficionados.
Durante os dias da Festa do Colete Encarnado, as suas portas e ruas envolventes transformam-se em locais de encontro. É ali que se conversa, se come, se ouve música, se recordam histórias antigas e se acompanha o movimento da festa.
Esta ligação entre as Tertúlias e a comunidade é tão forte que o próprio Município descreve atualmente o Colete Encarnado como uma “festa da comunidade, das tertúlias e dos campinos”.
Tertúlias: tradição passada entre gerações
Uma das características mais interessantes das Tertúlias é a capacidade de juntar diferentes gerações.
Muitos grupos nasceram da amizade entre pessoas que partilhavam o gosto pelo Colete Encarnado, pelos cavalos, pelos toiros e pelas tradições de Vila Franca de Xira. Com o passar dos anos, esses grupos foram crescendo e envolvendo filhos, familiares e novas amizades.
Assim, uma Tertúlia pode representar décadas de histórias e memórias. É também uma forma de transmitir aos mais novos uma parte da identidade cultural da cidade.
Esta renovação continua nos dias de hoje. Um exemplo é a Tertúlia Zás e Vira, que teve origem num grupo de colegas que se reunia durante o Colete Encarnado em 1990.
As Tertúlias durante o Colete Encarnado
Durante os três dias da Festa, as Tertúlias assumem um papel especial.
As ruas de Vila Franca de Xira ficam cheias de pessoas, cavalos, campinos e visitantes, enquanto diferentes grupos celebram à sua maneira. As Tertúlias participam também nos tradicionais desfiles, contribuindo para o ambiente de cor e animação que caracteriza o Colete Encarnado.
Em 2026, por exemplo, o programa voltou a incluir as Tertúlias como uma das componentes fundamentais da festa, juntamente com campinos, cavalos, toiros, música e animação de rua.
Mas a atividade das Tertúlias não se limita aos três dias principais.
“Tertúlias na Rua” e a ligação à cidade
Nos últimos anos, esta tradição ganhou também novas formas de apresentação ao público.
Em 2026, antes da própria Festa, realizou-se a iniciativa “Tertúlias na Rua”, na Rua Miguel Esguelha. O objetivo foi mostrar ao público a riqueza cultural do espólio tertuliano, aproximando ainda mais estas associações dos visitantes.
A iniciativa demonstra como as Tertúlias continuam a evoluir sem perder a sua identidade. Fotografias, objetos, trajes, cartazes e outros elementos ajudam a contar histórias que fazem parte da memória coletiva de Vila Franca de Xira.
As Tertúlias como símbolo do Colete Encarnado
Com o passar do tempo, as Tertúlias passaram a ser praticamente inseparáveis da identidade do Colete Encarnado.
O seu papel ultrapassa o simples convívio. São espaços de amizade, cultura popular, tradição e participação comunitária. São também responsáveis por manter vivas muitas histórias que dificilmente apareceriam nos programas oficiais da festa.
Em 2020, esta força comunitária ficou particularmente evidente quando as Tertúlias tiveram um papel importante na mobilização em torno da candidatura do Colete Encarnado às 7 Maravilhas da Cultura Popular Portuguesa. A Festa acabou por vencer e integrar a lista das sete manifestações culturais distinguidas.
Uma tradição que continua viva
Hoje, quando milhares de pessoas chegam a Vila Franca de Xira para viver o Colete Encarnado, encontram uma festa muito diferente daquela que começou em 1932. Existem novos palcos, novos artistas, novas formas de comunicação e um público cada vez mais diversificado.
Mas há elementos que permanecem.
O Campino, o cavalo, o toiro, a Lezíria, as ruas da cidade e, naturalmente, as Tertúlias continuam a formar a identidade da Festa.
É precisamente esta capacidade de preservar o passado e, ao mesmo tempo, permitir a entrada de novas gerações que faz das Tertúlias uma das partes mais interessantes do Colete Encarnado VFX.
Mais do que portas abertas durante uma festa, são lugares onde a memória de Vila Franca de Xira continua a ser contada, vivida e transmitida. As Tertúlias não são apenas parte da festa, são parte da sua história.
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