A resposta leva-nos até José Van-Zeller Pereira Palha, o grande impulsionador de um projeto que começou em 1932 e que, com o apoio da comunidade vila-franquense, viria a transformar-se numa das mais importantes celebrações culturais do país.
Neste artigo, descubra quem criou o Colete Encarnado de Vila Franca de Xira, quais foram as razões que estiveram na origem da festa e como a visão do seu fundador continua viva, mais de nove décadas depois.
Introdução
O Colete Encarnado é hoje uma das maiores festas populares de Portugal e o maior símbolo cultural de Vila Franca de Xira. No entanto, muitos visitantes perguntam-se quem teve a ideia de criar esta celebração que, todos os anos, reúne milhares de pessoas em homenagem aos campinos e às tradições ribatejanas.
Embora a festa tenha contado com o apoio de vários vila-franquenses, existe um nome que ficará para sempre ligado à sua origem: José Van-Zeller Pereira Palha. Foi ele o principal mentor da iniciativa e a figura que transformou uma ideia numa tradição que perdura desde 1932.
José Van-Zeller Pereira Palha - O Mentor da Festa
José Van-Zeller Pereira Palha (1895–1978) foi um dos mais importantes proprietários agrícolas de Vila Franca de Xira, um profundo conhecedor da lezíria ribatejana e um grande defensor das tradições locais.
Para além da sua atividade agrícola, destacou-se pela intensa participação na vida cívica do concelho, tendo desempenhado diversos cargos públicos e associativos. O seu amor por Vila Franca de Xira levou-o a idealizar uma festa que homenageasse aqueles que, durante gerações, trabalharam nas lezírias: os campinos.
Uma Ideia Partilhada por Toda a Comunidade
Embora José Van-Zeller Pereira Palha seja reconhecido como o fundador e principal impulsionador do Colete Encarnado, a concretização da festa só foi possível graças ao envolvimento de um grupo de vila-franquenses que acreditou no projeto.
A primeira edição realizou-se nos dias 16 e 17 de julho de 1932, resultado da colaboração entre cidadãos, associações e entidades locais que quiseram valorizar o património cultural da região.
Porque Criou o Colete Encarnado?
O objetivo era prestar homenagem ao campino, figura emblemática do Ribatejo, reconhecendo o seu papel na agricultura, na criação de gado bravo e na preservação das tradições da lezíria.
A primeira edição teve também um caráter solidário, procurando angariar fundos para apoiar os Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira. Esta vertente demonstra que, desde o início, a festa procurou unir tradição, comunidade e solidariedade.
Um Homem Apaixonado por Vila Franca de Xira
José Van-Zeller Pereira Palha era conhecido pelo profundo amor que tinha pela sua terra. Além de lavrador, dedicou-se à fotografia, à cultura e ao associativismo, deixando um importante legado documental sobre a vida rural e as tradições ribatejanas.
O seu empenho permitiu que o Colete Encarnado ultrapassasse a dimensão de uma simples homenagem e se transformasse numa das maiores festas populares do país.
Um Legado que Continua Vivo
Mais de nove décadas depois da primeira edição, o sonho de José Van-Zeller Pereira Palha continua presente nas ruas de Vila Franca de Xira.
Todos os anos, milhares de pessoas participam na festa, celebrando o campino, o cavalo, as lezírias, os toiros, a música e o espírito ribatejano. O que começou como uma homenagem local tornou-se um património cultural reconhecido muito para além da região.
Conclusão
Falar da criação do Colete Encarnado é recordar a visão de José Van-Zeller Pereira Palha e de todos os vila-franquenses que acreditaram na importância de preservar as tradições da sua terra.
Graças à sua iniciativa, Vila Franca de Xira ganhou uma festa que atravessou gerações e continua a afirmar-se como um dos maiores símbolos do Ribatejo.
O legado do seu fundador permanece vivo em cada desfile de campinos, em cada largada, em cada cavalo que percorre as ruas da cidade e em cada pessoa que, ano após ano, mantém esta tradição viva.
Cronologia de José Van-Zeller Pereira Palha
1895 – Nasce José Van-Zeller Pereira Palha.
Início do século XX – Dedica-se à agricultura e à preservação das tradições ribatejanas.
1932 – Idealiza e impulsiona a criação do Colete Encarnado, em homenagem aos campinos de Vila Franca de Xira.
Décadas seguintes – Desempenha uma intensa atividade cívica e associativa, contribuindo para o desenvolvimento cultural e social do concelho.
Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira – Exerce funções autárquicas, reforçando o seu compromisso com a valorização da cidade e das suas tradições.
1978 – Falece, deixando um legado que continua vivo através do Colete Encarnado.
Atualidade – É recordado como o principal mentor da festa e uma das personalidades mais importantes da história de Vila Franca de Xira.
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