O traje do campino é um dos maiores símbolos da cultura ribatejana e da identidade de Vila Franca de Xira. Reconhecido pelas suas cores marcantes e pelo seu caráter distinto, nasceu da necessidade de responder às exigências do trabalho diário nas lezírias do Tejo, tornando-se, ao longo dos séculos, um verdadeiro ícone do património cultural português.
Mais do que uma simples indumentária, o traje do campino representa uma profissão, um modo de vida e uma tradição que continua viva, especialmente durante a Festa do Colete Encarnado.
A origem do traje
A origem do traje do campino remonta aos séculos XVIII e XIX, período em que os trabalhadores das grandes herdades ribatejanas necessitavam de roupa resistente e confortável para enfrentar longas jornadas nas lezírias.
Cada peça foi concebida para responder a uma necessidade prática. As calças largas permitiam liberdade de movimentos a cavalo, as botas protegiam as pernas da vegetação e dos estribos, enquanto a faixa ajudava a proteger a zona lombar durante as horas de trabalho.
Com o tempo, esta roupa funcional adquiriu também um forte valor simbólico, tornando-se a imagem de marca dos campinos.
A Origem do Traje
A origem do traje do campino remonta aos séculos XVIII e XIX, período em que os trabalhadores das grandes herdades ribatejanas necessitavam de roupa resistente e confortável para enfrentar longas jornadas nas lezírias.
Cada peça foi concebida para responder a uma necessidade prática. As calças largas permitiam liberdade de movimentos a cavalo, as botas protegiam as pernas da vegetação e dos estribos, enquanto a faixa ajudava a proteger a zona lombar durante as horas de trabalho.
Com o tempo, esta roupa funcional adquiriu também um forte valor simbólico, tornando-se a imagem de marca dos campinos.
As peças que compõem o traje
- O barrete verde
O barrete verde é uma das peças mais características do traje. Confeccionado em tecido macio, protege a cabeça do sol e do vento, adaptando-se facilmente às condições de trabalho. A sua forma inclinada tornou-se uma imagem inseparável do campino ribatejano.
- A camisa branca
A camisa branca simboliza simplicidade e tradição. Fabricada em algodão ou linho, permitia maior conforto durante o verão e facilitava os movimentos ao montar a cavalo.
- O colete encarnado
O colete encarnado é o elemento mais conhecido do traje. Embora atualmente seja o símbolo da festa realizada em Vila Franca de Xira, originalmente fazia parte da indumentária usada pelos campinos em ocasiões especiais e dias festivos. Foi precisamente esta peça que deu nome à Festa do Colete Encarnado, criada em 1932 para homenagear estes trabalhadores da lezíria.
- A faixa vermelha
A faixa era colocada à cintura e desempenhava uma função importante. Além de ajudar a suportar a zona lombar durante o trabalho, servia também para apertar a roupa e proteger contra mudanças bruscas de temperatura.
- As calças de astracã
As tradicionais calças azuis de astracã destacam-se pelo corte largo, que facilita o trabalho a cavalo. A sua resistência fazia delas uma peça ideal para enfrentar o desgaste diário provocado pelas longas jornadas nas herdades.
- As meias brancas
As meias altas protegiam as pernas do atrito das botas e contribuíam para o conforto durante todo o dia. Hoje fazem parte integrante do traje cerimonial.
- As botas de cabedal ou sapato preto com esporas
As botas eram indispensáveis para o trabalho. Fabricadas em couro resistente, protegiam os pés da humidade das lezírias, dos estribos e dos pequenos obstáculos encontrados no campo.
Nenhum traje de campino está completo sem o pampilho, a longa vara de madeira utilizada para conduzir o gado bravo é um dos elementos principais do campino do ribatejo.
Podendo ultrapassar os quatro metros de comprimento, o pampilho era uma ferramenta de trabalho essencial. Servia para orientar os animais, afastar os mais agressivos e auxiliar o campino em diferentes situações no campo.
Com o passar dos anos, tornou-se também um dos maiores símbolos da profissão.
A evolução do traje
Embora o traje tradicional tenha sofrido pequenas adaptações nos materiais e nos acabamentos, a sua imagem manteve-se praticamente inalterada.
Hoje é utilizado sobretudo em:
• Festa do Colete Encarnado;
• Desfiles de campinos;
• Romarias;
• Eventos culturais;
• Homenagens;
• Demonstrações equestres.
Muitas ganadarias continuam igualmente a utilizar o traje tradicional em determinadas atividades ligadas ao gado bravo.
O traje como símbolo de identidade
Ao longo de mais de um século, o traje do campino deixou de representar apenas uma profissão.
Hoje é um símbolo do Ribatejo, da lezíria e da história de Vila Franca de Xira. A sua presença nas festas populares desperta um sentimento de orgulho e ajuda a preservar uma tradição transmitida de geração em geração.
Durante o desfile do Colete Encarnado, centenas de campinos vestem este traje, recordando o trabalho daqueles que fizeram da criação de gado bravo um dos pilares da identidade ribatejana.
Curiosidades
• O colete encarnado deu nome à maior festa de Vila Franca de Xira.
• O pampilho pode medir mais de quatro metros de comprimento.
• O traje mantém praticamente o mesmo aspeto há várias gerações.
• O barrete verde e o colete encarnado são hoje reconhecidos em todo o país como símbolos do campino.
• O traje continua a ser usado em cerimónias, desfiles e eventos ligados às tradições ribatejanas.
Conclusão
O traje do campino é muito mais do que uma indumentária tradicional. Representa a história de homens que dedicaram a vida às lezírias, ao cavalo e ao gado bravo. Cada peça tem uma função e um significado que refletem séculos de trabalho, coragem e ligação à terra.
Ainda hoje, quando um campino desfila pelas ruas de Vila Franca de Xira com o seu barrete verde, colete encarnado e pampilho na mão, leva consigo um património vivo que continua a marcar a identidade do Ribatejo.
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