Manuel Maria Trindade tinha apenas 22 anos, mas já era reconhecido como um jovem forcado de grande valor. Natural de Nossa Senhora de Machede, no concelho de Évora, dedicou parte importante da sua curta vida à tauromaquia e ao Grupo de Forcados Amadores de São Manços, seguindo também uma tradição familiar. O seu pai, Pedro Trindade, tinha sido forcado do mesmo grupo.
Manuel fardou-se pela primeira vez em 2019, em Santana da Serra, quando tinha 17 anos. Desde então, foi construindo o seu percurso nas arenas portuguesas, pegando em praças como Vila Franca de Xira, Évora, Elvas, Moura, Nazaré, São Manços e Campo Pequeno. Apesar da juventude, era considerado um dos valores promissores das fileiras de São Manços.
Na noite de 22 de agosto de 2025, o destino levou-o pela primeira vez à arena do Campo Pequeno, em Lisboa. Manuel foi escolhido pelo cabo João Fortunato para realizar a primeira pega da corrida, frente a um touro da ganadaria Vinhas, com 695 quilos.
Manuel avançou para o touro com a determinação que o caracterizava. Durante a tentativa de pega, acabou violentamente projetado contra as tábuas da trincheira, junto à zona dos curros, sofrendo graves lesões, sobretudo ao nível cerebral. Foi imediatamente assistido pela equipa médica presente na praça e transportado para o Hospital de São José, em Lisboa.
Apesar dos esforços das equipas médicas, Manuel Maria Trindade não resistiu. O seu falecimento foi confirmado em 23 de agosto de 2025, menos de 24 horas depois da tragédia que marcou aquela noite no Campo Pequeno.
A sua partida provocou uma profunda onda de consternação entre familiares, amigos, forcados e aficionados. Mais do que recordar a tragédia, ficam o seu percurso, a sua coragem e a dedicação a uma tradição que amava desde criança.
Manuel partiu demasiado cedo, vestido com a jaqueta do seu grupo e diante de um dos maiores símbolos da tauromaquia portuguesa. A sua memória permanecerá ligada ao Grupo de Forcados Amadores de São Manços e às arenas onde deixou a marca de um jovem que viveu intensamente a paixão pelos toiros.
Manuel Maria Trindade tinha 22 anos. A sua vida terminou cedo, mas o seu nome ficará para sempre na memória da tauromaquia portuguesa.
⚫ APÓS 1 ANO
"Forcado doou órgãos
A nobreza do ser humano não prescreve após a sua morte.
O malogrado forcado Manuel Maria Trindade que morreu após ser derrotado por um touro de 695 quilos no Campo Pequeno doou sete dos seus órgãos para dar vida a sete pessoas.
O Manuel, com apenas 22 anos, manifestou a intenção em vida sem saber que partiria tão cedo a fazer o que mais gostava.
A sua juventude valoriza os órgãos que irão ser transplantados para jovens que dependem de dador compatível para viver.
Deu coração, fígado, pulmões, pâncreas, intestino, rins, córnea.
No céu irá ouvir a ovação pelo gesto de se dar a quem não conhece.
Que chapada de luva branca a todos os indecentes e maldosos que se congratularam com a morte de um jovem só porque não gostam de touradas.
Todos têm o direito de detestar a festa brava, mas nenhum tem legitimidade para felicitar a morte de um jovem. O Manuel era trabalhador, bom filho, amigo das pessoas, dos animais e da natureza.
Quantos dos que aplaudiram a tragédia serão capazes de fazer tanto pelo outro durante e após a vida terrena.
O Manuel vai continuar vivo, pelo menos no corpo dos sete receptadores dos seus órgãos.
Sorte Manuel...
Longa vida aos sete beneficiários da tua bondade.
Esta vai por ti porra!
Texto - Créditos: Nelson Lopes
"A história continua a ser escrita. Voltaremos a atualizar esta página sempre que surgirem novos documentos, fotografias ou informações sobre o forcado Manuel Maria Trindade"
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