José Mestre Baptista foi um dos mais importantes cavaleiros tauromáquicos portugueses do século XX. Homem de enorme personalidade, coragem e talento, revolucionou o toureio a cavalo e tornou-se uma referência para várias gerações de aficionados. A sua ligação a Vila Franca de Xira é também muito forte: está sepultado no Cemitério Municipal de Vila Franca de Xira, onde o Município o inclui entre as grandes personalidades ali sepultadas.
30 de maio de 1940 - O nascimento
José Mestre Baptista nasceu a 30 de maio de 1940, no Monte do Bonical, em São Marcos do Campo, concelho de Reguengos de Monsaraz. Desde criança revelou uma enorme paixão pelos cavalos. Ainda muito jovem, preferia montar a estudar e passava grande parte do tempo ligado ao mundo equestre.
Aos 12 anos, teve a sua primeira montada, chamada Ideal, e começou a tourear praticamente por intuição, desenvolvendo desde cedo um estilo próprio.
1953 - A primeira atuação
Com apenas 13 anos, em 1953, José Mestre Baptista apresentou-se pela primeira vez em público, na Praça de Toiros de Mourão, durante as Festas de Nossa Senhora das Candeias.
A sua atuação chamou a atenção de Luís Gonzaga Ribeiro, que viria a tornar-se seu apoderado e uma figura fundamental no início da sua carreira. Baptista foi levado para Lisboa, onde frequentou a escola de equitação de Mestre Nuno de Oliveira. No entanto, a sua ambição era clara: não queria ser apenas equitador — queria ser toureiro.
1958 - A alternativa de cavaleiro
Depois de quatro anos como amador, chegou finalmente o momento decisivo. Em 15 de setembro de 1958, na Praça de Toiros Daniel de Nascimento, na Moita, José Mestre Baptista recebeu a alternativa de cavaleiro tauromáquico profissional, tendo como padrinho D. Francisco Mascarenhas.
A sua primeira tentativa de alternativa, no Campo Pequeno, em Lisboa, tinha sido recusada. Segundo fontes biográficas, essa terá sido a única alternativa de cavaleiro recusada na história do toureio a cavalo português.
Décadas de 1960 e 1970 - O grande Mestre Baptista
José Mestre Baptista rapidamente se tornou uma das maiores figuras do toureio equestre português. O seu estilo era marcado pela frontalidade, emoção, valentia e proximidade com o toiro, características que lhe deram uma identidade muito própria.
Manteve durante muitos anos uma célebre rivalidade artística com Luís Miguel da Veiga. Os dois alternaram em centenas de corridas e protagonizaram alguns dos cartéis mais disputados e populares do toureio a cavalo português.
Baptista atuou não apenas em Portugal, mas também em Espanha, França, Macau, Angola, Moçambique e Açores, levando o seu nome além-fronteiras.
1963, 1964 e 1971 - Três Prémios Bordalo
O reconhecimento da sua carreira chegou também através dos Prémios Bordalo, atribuídos pela Casa da Imprensa.
José Mestre Baptista recebeu o prémio de Tauromaquia — Melhor Cavaleiro em 1963, 1964 e 1971, distinção que demonstra a importância que alcançou no panorama tauromáquico português.
1969 - Mestre Baptista na Palha Blanco
A ligação a Vila Franca de Xira ficou registada em inúmeros cartéis da Praça de Toiros Palha Blanco. Em 6 de julho de 1969, durante as tradicionais Festas do Colete Encarnado, Mestre Baptista integrou o cartel ao lado de José Lupi, enquanto José Júlio e Mário Coelho atuavam como espadas.
A sua presença na Palha Blanco ajudou a reforçar a ligação entre um dos grandes nomes do toureio equestre e uma das terras mais importantes da tauromaquia portuguesa.
1984 - A última alternativa
Já perto do final da sua vida, Mestre Baptista continuava ligado à formação de novos valores. Em 9 de agosto de 1984, no Campo Pequeno, apadrinhou a alternativa de Rui Salvador, tornando-se uma referência também para a geração seguinte.
17 de fevereiro de 1985 - A morte
José Mestre Baptista morreu a 17 de fevereiro de 1985, aos 44 anos, em Zafra, Espanha. A RTP registou a sua morte e dedicou-lhe posteriormente uma reportagem no aniversário do seu desaparecimento.
A sua morte foi provocada por um ataque de asma seguido de paragem cardíaca. Apesar de ter nascido no Alentejo, José Mestre Baptista ficou profundamente ligado a Vila Franca de Xira e encontra-se sepultado no Cemitério Municipal de Vila Franca de Xira, num mausoléu que continua a recordar o seu nome.
Poucos meses depois da sua morte, em 24 de agosto de 1985, foi distinguido a título póstumo pelo Presidente da República António Ramalho Eanes, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
José Mestre Baptista deixou uma marca profunda na tauromaquia portuguesa. Foi um cavaleiro que fez do risco, da coragem e da arte equestre a sua forma de expressão.
Video da RTP: Morreu José Mestre Batista
Nasceu em 1940, chegou às arenas ainda adolescente, conquistou o público português e internacional, marcou uma época e morreu prematuramente em 1985.
Hoje, o seu nome continua vivo entre os aficionados e também em Vila Franca de Xira, onde repousa uma das grandes figuras do toureio a cavalo português.
"A história continua a ser escrita. Voltaremos a atualizar esta página sempre que surgirem novos documentos, fotografias ou informações sobre o cavaleiro, José Mestre Batista"
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